quinta-feira, 28 de maio de 2020

Custos da Qualidade e da Não-Qualidade



Nortear como podem ser classificados e tratados os custos da qualidade e da não qualidade, é um dos desafios em busca da excelência no setor geral das empresas. Os conceitos apresentados surgiram como resultado de pesquisa de artigos e livros fazendo uma síntese que facilite o entendimento do tema. A pesquisa aciona para o custo de qualidade do desenvolvimento empresarial.

Custo da Qualidade

A Qualidade é utilizada cada vez mais nas empresas. Podemos definir qualidade como a capacidade para atingir os objetivos operacionais visados. Produzir com qualidade implica dizer que teremos que investir, ou seja, ter custos para inspeção e prevenção para que se produza bem e haja satisfação do cliente ao produto/serviço final.

Na avaliação, temos: a verificação de registros, fiscalização, inspeção de chegada, verificação de faturamentos, revisão de projetos, entrevistas de demissões, auditoria dos estoques.

Na prevenção temos: procedimentos para treinamentos, planejamento em longo prazo, avaliação de fornecedores, planejamento de visitas, pesquisa de mercado, definição de clientes, programa de integração, descrição de funções, manutenção preventiva e treinamentos. São esses os custos cruciais que qualquer empresa obrigatoriamente terá de ser devidamente qualificados. Porém algumas falhas podem ocorrer na implantação do custo da qualidade, como:

•Custos da qualidade não incorporados ao sistema de custo da empresa;

•Coleta de dados e informações inadequadas e sem tratamento contábil;

•Sistemas de custos sem contas específicas para os vários custos da qualidade;

•Apropriação dos custos da qualidade feita através de “ilhas” e não pela empresa toda.

Inúmeras são as formas de se apresentarem os custos da qualidade. Seus diversos componentes aparecem nos relatórios onde são expressos monetariamente ou através da relação percentual dos custos da qualidade com outros indicadores de desempenho da empresa.

Podem ser utilizadas várias bases para a quantificação percentual dos custos da qualidade, entre elas encontram-se:

- Custo da mão de obra direta: indicada para indústrias não muito mecanizadas e com baixo índice de automação;

- Custo da mão de obra padrão: fornece a medida do desempenho em relação ao planejado, não sofrendo influência das variações reais;

- Custo direto de produção: possibilidade de utilização por empresas cujos custos indiretos não sejam de grande monta;

- Custo total de produção: recomendável para produção com alta tecnologia, em que os custos indiretos representam parcela importante dos custos de produção;

- Custos de fabricação: calcula-se exclusive dos custos da engenharia de projeto dos custos totais de produção;

- Volume de produção: mede o comportamento dos custos da qualidade em relação à produtividade;

- Volume agregado: recomendável quando os custos da matéria prima sofrem variações, sendo que o custo agregado é calculado excluindo-se dos custos totais o custo da matéria prima;

- Valor das vendas: é a base que mais chama a atenção dos administradores, mas tem o inconveniente de ser afetadas pelas mudanças de preços, políticas de marketing e alterações na demanda;

- Percentual do custo da qualidade em relação ao custo da unidade fabricada;

- Percentual da quantidade de produtos refugados em relação ao total das unidades boas produzidas;

- Percentual do custo da qualidade em relação ao faturamento total.

Além disso, os relatórios de custos da qualidade podem apresentar a margem de contribuição que se perde nas vendas não efetivadas e que foram ocasionadas pela deficiência da qualidade do produto, especificando-as quanto a produtos refugados, ou ainda por produtos vendidos por preço inferior ao que seria cobrado se não tivessem problemas de qualidade.

Algumas das vantagens e desvantagens da implantação do custeio da qualidade:

- Conhecer a natureza e o porte dos custos da qualidade, tornando os administradores conscientes dos problemas e dando-lhes razões para se interessarem no aperfeiçoamento contínuo.

- Relatórios da qualidade combinados com as avaliações do desempenho departamental e da empresa em geral fornecem ao gestor oportunidades para programar ações corretivas no sentido de melhorar o desempenho.

- O custeio da qualidade pode melhorar lucratividade da empresa mediante um controle mais efetivo.

- Deve-se evitar que o funcionário seja induzido a reduzir custos eliminando atividades de prevenção, que no futuro se revertem em custo de não-qualidade.

Outro ponto merecedor de destaque é que o gerenciamento dos custos da qualidade não requer investimentos relevantes para sua concretização, bastando aproveitar os dados internos já existentes.

A qualidade divide-se em dois grandes grupos:

- Custo de controle;

-Custo de falhas no controle;

E que as empresas devem medir o impacto da “Qualidade” através dos sistemas de custos.

Vimos que, nos custos relacionados à qualidade, há também o custo da não-qualidade, pelos gastos desses problemas, que são identificados pelas falhas internas que são os custos que a empresa paga pela má qualidade observada antes que o cliente se dê conta, como no caso de refugos e reprocessamento, também o Retrabalho, a Análise e execução de ações corretivas para soluções de problemas devidos a erros/falhas de projeto, correção de falhas de materiais e produtos rejeitados supridos por fornecedores, Eliminação das causas de não-conformidades detectadas na linha de produção; Análise e dispensa de itens não conformes. E as falhas externas que são os custos que a empresa paga pela má qualidade que chega até o cliente, acarretando substituição de produtos, serviços ou informações e compensações por perdas sofridas pelo usuário, ou seja, o Recall*, Reposição de produtos devolvidos por clientes, Atendimento a reclamações de clientes, Cumprimento de condições de garantia, Retrabalho originado por reclamações de clientes, Responsabilidade civil pelo fato do produto, Multas e penalidades exigidas contratualmente, entre outros.

Essas falhas ocasionam grandes perdas em custos intangíveis, como destruição da imagem e credibilidade da empresa. Quanto mais tarde erros forem detectados, maiores serão os custos envolvidos para corrigi-los, além de ocasionar perdas que muitas vezes são irreversíveis.

*Recall é um chamamento feito pelo fabricante aos consumidores que adquiriram determinado produto ou serviço que coloca em risco a segurança ou apresente algum defeito constante, necessitando de reparo ou substituição.

A classificação dos Custos da Qualidade nas quatro categorias apresentadas permite fazer um estudo das relações entre as mesmas, na procura do ponto ótimo de investimento em Qualidade. O outro propósito seria aumentando-se os gastos de prevenção qual seria a economia de custos obtida pela diminuição das falhas. Empiricamente também se comprova que gastos iniciais em Prevenção podem significar diminuição no Custo Total da Qualidade.

Certificado ISO 9001

É importante salientar que, atualmente a forma de reconhecimento mais utilizada pelas empresas para demonstrar a capacidade de fornecer produtos e serviço com qualidade é a certificação de sistemas de gestão da qualidade, baseada nas normas NBR ISSO 9001. Para fins de certificação do Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ), a única norma aplicável é a NBR ISO 9001:2000.

Uma vez obtida a certificação, a empresa se compromete com sua manutenção, e periodicamente a certificadora realiza uma auditoria para verificar se o SGQ está funcionando com eficiência. Com o certificado a empresa demonstra que tem condições de fornecer produtos e serviços com qualidade e que atendem aos requisitos do cliente.

Embora haja uma concentração maior na apuração de falhas, existe uma tendência nas empresas em estender o sistema para as categorias de avaliação e prevenção. Esta concentração é função do cenário atual que dá ênfase à diminuição dos desperdícios e de ineficiência.